[FP] Sattin de Andrômeda.

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[FP] Sattin de Andrômeda.

Mensagem por Sattin de Andrômeda em Sab Abr 18, 2015 9:03 pm


Personagem

Nome: Sattin Skarsgard.
Idade: 17 anos.
Sexo: Feminino.
Signo: Virgem.
Veste: Cloth de Andrômeda.



Aparência: Sattin não possui uma estatura muito imponente, tendo meros 1,65 de altura. Pesando 49 quilogramas, seria considerada uma menina magra e franzina, alguém visualmente nada ameaçador. Os traços de seu rosto são extremamente delicados e simétricos, o que a torna muita bela de se contemplar. Seus olhos possuem um tom profundo de azul, como o lápis-lazúli, podendo tornar-se mais claro sob a luz do sol. Seus cabelos são compridos, chegando até a base de suas costas em ondulações pouco definidas. Castanhos escuros, seus fios possuem mechas tingidas num tom escuro de verde, mais visíveis durante o dia. Apesar de sua pouca idade e da envergadura simples de sua constituição física, Sattin é muito mais leve que a maioria dos cavaleiros e amazonas sendo, portanto, mais rápida do que eles. Essa vantagem também facilita sua esquiva, tornando-a hábil na arte de desviar-se dos golpes adversários.




Psicológico: Essencialmente, Sattin pode ser descrita como uma jovem bondosa e cativante. Seu espírito de equipe a torna alguém sempre solícita, disposta a ajudar seus amigos e preservar qualquer vida. É extremamente gentil, e possui uma empatia quase sobrenatural, sempre enxergando o ponto de vista do outro. Odeia a violência excessiva, e os abusos dos mais fortes sobre os mais fracos. Presenciar injustiças é algo difícil para esta jovem, que tanto sofreu com a desigualdade e o preconceito. Não é uma líder nata, mas tem uma personalidade muito forte, e um carisma particular que a torna querida por todos que a conhecem. Pode ser considerada muito branda e delicada para uma amazona, mas esconde em si uma força proveniente de sua dedicação, e de seu coração extremamente valente. Não hesita em sacrificar-se pelo bem maior, assim como a princesa de sua constelação. Sua paixão pela humanidade só é superada pela sua antipatia pelos poderosos que escolhem o caminho do mal. Apesar de muito calma e paciente, costuma liberar todo o seu cosmo quando levada à situações extremas, utilizando-o para não só proteger, como também para destruir os injustos. Sendo alguém de fácil convívio, costuma ser admirada pelos seus companheiros.



Habilidades e Particularidades:

Habilidade:
Nome: Pulsão de Vida.
Tipo: Espiritual.
Descrição: Acredita-se que a vida e a existência – não só humana, mas em todas as formas de vida na natureza – estão conectadas diretamente a duas forças. Estas podem ser descritas como Pulsões, ou Princípios. Vida e Morte. Luz e Trevas. Em eterna dualidade, ambas estabelecem-se no interior de cada ser, combatendo por uma infinidade de vezes, a cada segundo. Destas duas forças, surge a ambivalência humana, que nos torna capazes dos piores e mais maravilhosos feitos. Yin e Yang. Estes impulsos são como comandos espirituais e orgânicos, ligados não só ao campo do abstrato, mas também à matéria. Observamos a existência destas forças nas dores e nos prazeres cotidianos. Sobre esses alicerces, ergue-se o dom de Sattin. Conectado à Pulsão de Vida que rege o mundo físico e espiritual, seu cosmo se manifesta na forma de uma energia pura e benevolente. Assumindo colorações em tons de rosa bem sutis, manifesta-se como uma luz própria, nascida do interior da amazona. Sua habilidade consiste em favorecer e alavancar as pulsões de vida presentes em outros seres orgânicos, curando-o ao manipular a própria energia vital presente em cada um. Extremamente relacionada com os aspectos positivos das energias essenciais de um organismo, sua habilidade permite uma empatia maior do que o comum, com outros humanos e animais. É como estar conectada à Vida, banindo a pulsão de Morte, que se manifesta através de doenças e ferimentos, no plano físico.

Nome: Controle do Ar.
Tipo: Elemental.
Descrição: Durante seu treinamento na Ilha de Andrômeda, durante o qual Sattin foi forçada a despertar o seu cosmo, ela descobriu que havia mais em suas capacidades do que imaginava. Durante sua primeira luta contra o aspirante Tristan, despertou o dom de manipular as correntes de ar, atingindo-o com um golpe inesperado. Desde então, a amazona aprimora suas capacidades, tentando sempre manter o controle de seu poder, tornando-o mais eficaz. No Desafio do Sacrifício utilizou esta habilidade para libertar-se de suas correntes. Logo aprenderia a Tempestade Nebulosa, técnica mais letal da amazona de Andrômeda, e que só funciona corretamente com o auxílio desta habilidade.

Particularidade:
Origem: Anime/Mangá/Mitologia.
Nome: Correntes de Andrômeda.
Natureza: Mangá/Mitologia/Anime.
Descrição: Característica particular de sua armadura, as Correntes de Andrômeda são o principal instrumento de ataque e defesa da amazona. São duas, e cada uma possui diferentes funções. A Corrente Triangular (ou pontiaguda) que fica no braço direito serve para o ataque. Ela sempre aponta para onde está o inimigo, e a mesma pode alcançá-lo em qualquer lugar onde o mesmo estiver. A Corrente Circular que fica no braço esquerdo serve para a defesa, ela possui um grande instinto defensivo. Quando pressentem a presença ou o movimento do inimigo, imediatamente erguem uma defesa circular semelhante a um muro de ferro, intransponível para Cavaleiros de Bronze no mesmo nível que Sattin. As correntes se estendem ao infinito, atingindo inimigos até mesmo em outras dimensões. Além disso, podem se regenerar entre uma batalha e outra, caso não sejam muito danificadas.



História:

Sattin de Andrômeda - A Amazona Gentil.


Os piores acontecimentos parecem destinados, muitas vezes, à quem menos merece os sofrimentos impostos pelas tragédias da humanidade. É difícil mensurar com precisão o momento em que me descobri como alguém diferente dos demais. Como ser humano pode-se dizer apenas que minhas experiências ruins moldaram todo o caráter e firmeza, com os quais sobrevivi por todos os poucos anos de minha vida. Muitos acreditam que enfrentar as mais sangrentas batalhas e os mais temíveis desafios, poderiam me tornar corajosa. Iludidos, acreditamos que apenas a força e a violência são capazes de modificar a realidade ao nosso redor. Para vencer o mal na Terra muitos acreditam ser necessário sucumbir a ele. Mas aqueles de nós que sabem mais, reconhecem o verdadeiro desafio. Proteger os mais fracos e preservar o espírito de comunidade e gentileza em nossos corações, é o que realmente nos torna guerreiros da esperança. É no cotidiano onde encontramos toda a força necessária para combater as injustiças, para resguardar a vida.

Por que estou falando sobre gentileza e bondade? Muitos devem estar perguntando-se, na atual conjuntura. Simples. Costumamos amar com profundidade aquilo que recebemos pouco. Aquilo que não conhecemos, costumamos favorecer em relação às nossas experiências anteriores. Ninguém gosta de repetir o mesmo prato todos os dias. E, quando se é criada em meio ao desespero e desolação, aprende-se a apreciar cada brisa, cada sorriso. Quando se é maltratada pela família que deveria protegê-la, aprende-se a valorizar a companhia e a beleza de estar cercada por companheiros amigáveis, por pessoas felizes. E este, é o cerne de quem eu sou. Daquilo que me tornei. Contrariando as expectativas, nunca senti que devia punir o mundo pelos erros dos nossos antepassados. Mitos de um mundo onde doenças podiam ser banidas com um simples comprimido, de um mundo onde armas de destruição em massa poderiam destruir milhares de vidas num piscar de olhos, sempre fizeram parte do dia a dia. Mas a realidade que conhecíamos era outra. Ninguém no meu vilarejo sabia exatamente como o mundo chegara a tal ponto. Todos pareciam incertos quanto às origens de toda a fome e desesperança que assolava o mundo.

E em meio ao povo bravio da Vila de Zéfiro, fui criada por uma mãe negligente e muito pouco carinhosa. Marissa Skarsgard era a viúva de um ex-combatente conhecido por sua brutalidade e nobreza. Éramos a família mais rica do povoado, e mamãe controlava todo o comércio do local, mantendo-me “protegida” do mundo exterior. Ou assim ela pensava. A verdade, é que sempre gostei mais de conviver com as pessoas de bem que viviam na pobreza, do que com os empregados frios e as atitudes egoístas de minha mãe. Todos os dias, passava as tardes na Travessa do Rato, local onde um pequeno mercado negro funcionava, e pessoas miseráveis tentavam vender o que tinham de mais precioso para outras pessoas miseráveis. Vez ou outra, eu tentava ajudar comprando um pente quebrado, um espelho de mão rachado ou um vestido puído que mamãe jamais deixaria que eu vestisse. Mas as coisas eram sempre difíceis. Meu único amigo era o Mestre Fenick, um senhor de idade avançada que contava histórias em troca de moedas. Ele era fantástico. Contara lendas sobre cavaleiros santos, capazes de proteger a Terra de deuses malignos e entidades cheias de ódio e clamor no coração. Fenick jurava que um dia, a deusa Atena retornaria para nos salvar. E que quando este dia chegasse, ela precisaria de corajosos guerreiros que lutassem em seu nome.

Obviamente, eu não levava tais contos a sério. Mas um dia, quando a pequena felicidade que eu possuía virou cinzas, percebi a verdade em suas palavras. Revoltados com os impostos abusivos de minha mãe, a população de Zéfiro invadiu a Skarsgard Manor. Destruíram os jardins, derrubaram as estátuas dos deuses antigos, e saquearam todos os nossos bens. Mamãe foi morta enquanto tentava fugir com uma quantia absurda de ouro, deixando-me para trás. Julgada pela vontade popular foi apedrejada, até a morte. Por escolher o ouro em detrimento de sua filha, seu corpo foi lançado indignamente ao mar, sem um funeral apropriado. Ela jamais encontraria seu caminho para os Elíseos. Eu, por ser querida na Vila e conhecida pela minha generosidade com todos, acabei sendo entregue aos cuidados de Fenick, para que fosse o meu tutor. O velho ancião aceitou de bom grado cuidar de mim, e a mansão de minha família transformou-se num Orfanato para crianças de toda a Europa. Convivendo com Fenick, aprendi a não lamentar pelo destino de minha mãe. Apesar de amá-la, pude compreender que ela atraíra tal fortuna para si mesma. Sua herança na Terra havia sido destruída por sua própria maldade. Com o velho contador de histórias, aprendi a questionar o mundo. A sentir na pele o sofrimento de todos aqueles que visitávamos, diariamente. Itinerante, o Contador de Histórias também era um excelente curandeiro, e com ele aprendi a aliviar o sofrimento dos enfermos, ainda que os recursos de nosso mundo fossem extremamente escassos.

Com Fenick viajei por muitos países, dos onze aos catorze anos. De uma forma inexplicável, quando me emocionava profundamente, era capaz de realizar milagres. Poucos eram capazes de discernir a origem de tais acontecimentos, mas Fenick dizia que uma forte energia queimava ao meu redor, nascida do meu amor e da minha generosidade. Eu não sabia se acreditava bem naquilo, mas o fato era que os doentes sobre os quais eu impusesse minhas mãos, saravam. Por muitas vezes cortes e ferimentos mais sérios fechavam-se, com apenas três ou quatro visitas. Logo a menina com as mãos restauradoras ficou conhecida, e aonde chegávamos éramos recebidos com festas e júbilo. Fenick, ao contrário do que eu esperava, sentia-se mal com aquilo. Muitos que nos recebiam eram tão pobres quanto nós, mas sentiam-se na obrigação de pagar pela cura que meu dom fornecia. Outros não eram tão generosos. Desconfiados, chamavam-me de bruxa e por mais de uma vez, fomos expulsos de vilarejos sob ameaças de apedrejamento. Ainda que com estes percalços no caminho, nunca me senti triste ou desamparada. As histórias do ancião enchiam os meus dias, com eclipses que ameaçavam tragar a Terra, maremotos que reconstruiriam o mundo, e uma deusa encarnada como humana, que destronou Ares e reassumiu seu lugar como Protetora da Terra. Por mais de uma vez fiquei curiosa. Como ele saia de tantas coisas incríveis? Infelizmente, eu saberia. Mas a resposta não seria exatamente feliz.

Era apenas mais um vilarejo, eu disse. Convenci Fenick a entrar na maior cidade que havíamos visitado até então. Aquela cidade era tudo o que Vila Zéfiro não era. Nova Roma era próspera, cheia de cor e de natureza exuberante. Pessoas bem alimentadas e felizes, que corriam pelas ruas com entusiasmo e travessura misturados. Pessoas que não conheciam o sabor do desespero, nem da fome. Fenick não gostava de lugares daquele tipo. Ele dizia que onde a riqueza era presente, a ambição tendia a ser mais forte. Eu, em minha inocência, jamais imaginaria o quão certo ele estava. Juntos, anunciamos na praça pública que tínhamos histórias e cura para todos aqueles que a desejassem. Ingênuos, ficamos felizes quando um homem bem vestido e adornado de joias deu um passo à frente. Ele depositou muitas moedas de ouro no chapéu de Fenick, mas o rosto de meu guardião estava tenso.

- Olá, Fenick. Já faz algum tempo. Quando me disseram que o Cavaleiro de Unicórnio estava cuidando de uma garotinha, e disfarçando-se de mendigo em Nova Roma, não pude resistir. – O homem sorria, mas não havia humor real em seu tom. – Esta é a fazedora de milagres? Que graça... – Os cabelos longos e ruivos do nosso inquisidor eram longos como os meus. – Ora, garotinha, gostaria de fazer um milagre para mim? – Aquele homem era aterrorizante. Como podia saber algo sobre Fenick? Cavaleiro de Unicórnio? O que significava aquilo? Simplesmente não pude entender.

- Você não tem quaisquer assuntos a tratar com Sattin, Melchior. Saia e deixe-nos em paz enquanto ainda pode. Não hesitarei em acabar com você! – Fenick era velho, mas eu nunca o tinha visto tão valente, nem tão forte. Ele ergueu-se de forma imponente, sua coluna curvada esquecida. Largou o cajado de madeira que usava para locomoção, e mesmo seus cabelos brancos pareceram mais brilhantes. – Dê meia-volta, gladiador de Hefesto.

- Como se você tivesse alguma chance contra mim, Cavaleiro de Bronze. Sua morte é certa, mas levarei a garota para meu Mestre. Ele precisa de curadores, para a guerra que virá. Ela poderá curar nossos feridos. – Rindo, o homem misterioso revelou uma armadura brilhante, aparentemente feita de metal cor de cobre. – Morra!

Um brilho forte inundou a praça. Todos os transeuntes correram para suas casas. Eu caí, zonza com toda a movimentação e o barulho alto de corpos se chocando. O chão tremeu quando o som de um golpe fez vibrar meus ossos. O capuz ver-musgo de Fenick voou para longe, e sua armadura roxa revelou-se, sob a luz do sol. Um elmo com chifre conferia-lhe imponência, embora sua expressão fosse cansada. Rindo, seu inimigo divertia-se, o ar estalando ao seu redor como faíscas vermelhas. Ele era claramente superior ao meu protetor. Temi por sua vida, e comecei a chorar em desespero. Eu perdera minha família, meus empregados, minha casa. Não podia perder meu melhor amigo. Tensa, ergui as minhas mãos diante do rosto. Uma aura cor de rosa explodia dos meus dedos, caminhando na forme de uma névoa na direção do Cavaleiro de Unicórnio. Não entendi bem o que estava acontecendo, mas desejei que aquilo o mantivesse seguro. A armadura de Unicórnio brilhou, e Fenick pareceu mais firme, em seu lugar. Ele virou-se na minha direção, e sorriu com melancolia. Aquilo era uma despedida. Ele atirou seu colar em minha direção. Uma estrela cor de rosa presa numa corrente de prata.

- Volte para a Ilha Zéfiro e tome o primeiro barco para a Ilha de Andrômeda, na Etiópia. Um amigo espera por você, filha. Seu treinamento comigo acabou. Você tem o que é preciso para se tornar uma amazona. Um coração leal e bondoso. – Com orgulho, Fenick voltou-se na direção de Melchior. Este ainda ria, divertindo-se com o desespero do ancião. – Galope do Unicórnio!

Fenick saltou no ar e surgiu rapidamente à frente de Melchior, disparando mais chutes do que eu poderia ver. Sem pensar em mais nada, senti as lágrimas arderem em meus olhos, e corri para longe daquela carnificina. O grito de Fenick ecoou pelo céu quando ele foi atingido, e recusei-me a olhar para trás. O som de sua armadura quebrando e de seu corpo caindo foi alto o suficiente, para mim. Antes que o emissário de Hefesto (seja lá o que isso significasse) viesse atrás de mim, senti uma mão cobrindo meus lábios e puxando-me para um beco escuro. Lá, encontrei meu salvador. Um garoto não muito mais velho do que eu. Ele parecia alarmado.

- Você é Sattin, não é? – Fiz que sim. – Ótimo. Por Atena, você é difícil de acompanhar! Estou seguindo você e o velho faz algum tempo. Quero ir até a Ilha de Andrômeda ao seu lado. Também quero tentar conquistar a armadura de bronze!

- Espera! O que está acontecendo? Por que de repente todos ficam falando em armaduras? Pensei que isso era apenas mito! Contos para conseguir dinheiro nas estradas! Agora descubro que meu tutor era um cavaleiro, e um homem que nunca vi na vida está atrás de mim depois de matá-lo! Além disso, quem diabos você é? Como nos seguiu sem que soubéssemos? – Não percebi que estava quase gritando. Acredito que no fim, Melchior desistiu de procurar-me. Ele jamais veria uma garota (ainda mais uma tão franzina) como ameaça.

- Você não me conhece, mas sou de Vila Zéfiro. Meu nome é Tristan. Saí da cidade junto com vocês, e desde então estou vagando como itinerante, apresentando-me com minha harpa, em troca de alguns trocados. Não existia mais nada para mim lá. Não agora, que já não tenho mais idade para ficar no Orfanato Skarsgard. Sabia que o nome dele foi dado em sua homenagem? – Aquilo não era tão complicado. Ainda assim, minha mente estava tão cansada que apenas decidi não pensar no assunto. Peguei na mão de Tristan, e juntos corremos até as Docas, onde pegaríamos carona com um contrabandista qualquer, visando sair daquele lugar.

Mais de dois meses já haviam se passado. Na Ilha de Andrômeda, as coisas não eram fáceis. Como o resto do mundo, ela se modificara completamente. Tornara-se um local repleto de jovens com um passado não muito louvável, que fariam de tudo pela oportunidade de tornarem-se Cavaleiros e terem seu passado de crimes apagado. Para mim, além de ser a única garota na Ilha, não tinha outra opção além de viver ali, onde Hefesto e seus servos jamais poderiam me alcançar. No entanto, eu não estava mais habituada à vida fácil que minha mãe cruel proporcionara, e agora, sentia-me preparada para qualquer sofrimento. Perder Fenick e ouvi-lo morrer, fora o pior momento da minha vida. Mas, se eu sobrevivera àquilo, poderia certamente seguir em frente e lutar com todas as minhas forças por uma chance de receber uma vida nova. O problema era que “todas as minhas forças”, não parecia ser o suficiente. Já era a terceira batalha de treinamento, e eu sequer conseguira dar um soco num dos meninos. Eles eram uns tolos, e subestimavam-me por ser uma garota. Ninguém queria enfrentar-me.

O Cavaleiro de Prata de Cefeu, Midas, era o responsável pelo treinamento dos Aspirantes de Andrômeda. Dele era a missão de proteger a Ilha dos enviados por Hefesto para capturar a armadura, e de reconhecer dentre nós, aquele que melhor se sairia no Desafio do Sacrifício, no qual encarnaríamos o mito de nossa Constelação. Seríamos enviados ao mar como a Princesa Andrômeda mitológica, acorrentados às pedras. O verdadeiro merecedor da armadura seria o único capaz de sobreviver ao fim do processo. Sendo assim, passei grande parte dos meus dias treinando diretamente com meu Mestre, Midas. Ele não via o meu sexo como fraqueza, e dizia que a própria constelação de Andrômeda, era essencialmente feminina. Prova disso era o design da própria armadura, ideal para uma amazona. Ele ensinou-me a utilizar meu peso e meu tamanho como uma vantagem, onde seria minha ruína. Desviar e me mover com velocidade, uma vez que eu não possuía a força dos meus concorrentes. Além disso, ao manejar as correntes de treino, senti-me pela primeira vez desde a destruição da Skarsgard Manor, viva. Eu podia me defender. Nunca mais veria um ente querido morrer, presa à minha impotência. Midas exigia bem mais de mim do que de seus outros aprendizes. Segundo ele, eu teria de provar minha força muito mais vezes, como amazona. Hematomas e músculos feridos não eram nada comparados ao que estaria me esperando no mundo exterior. Nos momentos de tranquilidade entre uma sessão de treino e outra, era possível respirar profundamente e perceber quão sofrida era aquela Ilha, esquecida pelos deuses em sua deformidade vulcânica. As noites gélidas só eram comparáveis ao calor durante o dia, e apesar de todo o meu esforço, continuava parecendo tão invisível quanto no dia de minha chegada.

Para Tristan, o outro órfão de Vila Zéfiro, as coisas eram completamente diferentes. Ele era temido pelos outros aspirantes, e durante nosso treinamento, enfrentara e vencera a quase todos os nossos concorrentes. Restava apenas eu e mais um, um menino vindo do Egito chamado Ramsés. Tristan era forte e habilidoso, e de certa forma, impiedoso. Não aceitava rendições, e todos os seus inimigos terminavam fora de combate. Midas o repreendera certa vez, por chegar bem perto de estrangular um adversário. No dia em que ele enfrentaria o egípcio, meu Mestre levou-me até o topo de um penhasco, de onde era possível ver as Rochas de Sacrifício, e a Armadura de Andrômeda, no centro de treinamento. Os aspirantes derrotados já aguardavam o início da batalha, e estavam ansiosos, sabendo que certamente Tristan venceria Ramsés. Então, ele cumpriria o Desafio, e seria o novo Cavaleiro. Caso morresse, novamente um dentre todos seria escolhido. Muita coisa estava em jogo naquele dia habitual, e saber que nenhum deles sequer contava comigo na equação, era ultrajante.

- Escute-me, filha. Há décadas atrás, um novo mal pisou neste mundo. Com a ameaça de Hefesto, muitos Cavaleiros de Bronze e Prata espalharam-se pelo mundo, buscando jovens que pudessem ser treinados para vestir as armaduras que ainda precisavam de um dono. Isso seria necessário, para que quando Atena retornasse, pudéssemos vencer o adversário da Terra. Fois desta forma que Fenick a encontrou. Ele, que era tão caro para mim. Enviou-me você, uma jovem completamente diferente dos demais aspirantes. – A expressão do Mestre pareceu muito mais triste, ao falar em seu amigo Unicórnio. - Lembre-se, Sattin. Todos costumam ver a bondade, como fraqueza. Mas para alguém como você, cujo cosmo queima com o calor da Essência de Vida, esta é sua maior força. A Armadura de Andrômeda, dentre todas, é aquela que melhor compreende o seu espírito. Pois, para obtê-la, não é preciso apenas força e poder. É necessário conhecer a compaixão, e a gentileza. Um coração nobre é o que determina o merecedor da Armadura. É o que a Constelação do Sacrifício representa. É aquilo que a Princesa Andrômeda mitológica realmente é. Não se abale pelo comportamento de seus colegas. Quando eles desprezaram-na, cometeram um grave erro. Pois você foi treinada diretamente pelo Cavaleiro de Prata da Constelação de Cefeu. Aprendeu comigo a dominar as correntes. – Sua mão tocou meus ombros, e seus olhos profundos encontraram os meus. Mares escuros como um lago de chocolate, da cor de seus cabelos. A Armadura de Cefeu brilhava contra o sol, e senti tamanha ternura em meu coração, que quase permiti que lágrimas brotassem em meus olhos. – Acredito que pela primeira vez em séculos, a Armadura de Andrômeda pertencerá novamente a uma Amazona. Nos tempos de necessidade e guerra que virão, misericórdia e compaixão também serão necessárias.

Juntos, Midas e eu assistimos à luta entre Tristan e Ramsés. Equilibrados, os dois moviam-se em círculos, sempre antecipando as ações, um do outro. Velozes e mortais, suas correntes moviam-se claramente com o intuito de atacar e ferir o adversário. Havia pouca preocupação com a própria defesa, prevalecendo os instintos sanguinários. Aqueles garotos não compreendiam que defender-se, pode significar a vitória. Nenhum daqueles ex-criminosos poderia reconhecer numa postura defensiva, algo digno. Eu sabia que no fundo, Midas me protegera daqueles rapazes. Nenhum deles parecia capaz de fazer-me algum mal, mas tampouco pareciam realmente decentes. A expressão de desgosto no rosto de meu Mestre demonstrava seu descontentamento. Como podiam desejar uma Armadura cuja Constelação e mitologia sequer compreendiam. Não era do feitio de Andrômeda buscar o poder para fins próprios. Aquele era o grande erro dos Aspirantes. Quando a luta acabou e Tristan continuou a pressionar o rosto de Ramsés contra o chão, Midas ergueu sua mão direita. Aquilo lhe dava oficialmente a vitória, e encerrava a luta. Emburrado, meu conterrâneo largou seu oponente, que caiu inconsciente ao seu lado. Os outros rapazes comemoraram e fizeram barulho, enquanto Tristan caminhava em nossa direção. Ao lado do meu Mestre, encolhi-me diante de sua presença. Uma energia perigosa emanava ao seu redor. Um cosmo manchado pela ambição, e envolto em sombras. Seria o elemento das trevas?

- Mestre Midas, quando poderemos realizar o Desafio de Sacrifício? – De braços cruzados, Tristan sorria, debochado.

- Aspirante. Não creio que você esteja qualificado para tamanha tarefa. É verdade que você já sentiu e despertou o seu cosmo, mas não combateu todos os seus concorrentes. Sattin também despertou sua cosmo energia, e é uma aspirante saudável à Armadura de Andrômeda. Não impedi que vocês a ignorassem durante o treinamento, mas esta foi uma escolha sua e de seus colegas. Vocês permitiram que apenas ela fosse treinada à exaustão por um Cavaleiro de Prata, enquanto combatiam uns aos outros com brutalidade. Agora, você deve enfrentá-la. De outro modo, jamais enfrentará o Desafio do Sacrifício. Não enquanto eu, Midas de Cefeu, estiver nesta ilha! – Surpreso, encarou-me Tristan. Sua expressão tornou-se cruel, e seus lábios selaram-se num sorriso forçado e sinistro. Ele não parecia mais o órfão que cantava por moedas. Aquele corpo forte e cruel não lembrava em nada a magreza do jovem de cabelos negros e olhos azuis, que eu conhecera. Ele continuava belo, apesar de seu interior. No entanto, toda a vida sumira de seus olhos. Era como encarar a face da Pulsão de Morte. Das trevas.

- Como desejar, Mestre. Mas o sangue dela estará nas suas mãos. – Avisou, num tom ameaçador.

- O combate será realizado amanhã, neste mesmo horário. Você terá tempo para se recuperar entre uma luta e outra. – Cefeu era justo. Jamais o forçaria a lutar cansado.

- Não. Quero enfrentar a favorita do Mestre, agora. Não vou permitir que o senhor a treine nem um minuto a mais! Agora se apresente Sattin, e sinta o meu cosmo! – Tristan estava apontando para mim.

- Como desejar, Tristan. – Respondi, caminhando lentamente até postar-me em frente a ele. Rindo, os outros aspirantes pareciam gostar da ideia de ver uma menina apanhando. – Por favor, não precisamos lutar até a morte. Prometo não feri-lo, se quiser se render. – Eu temia o que pudesse fazer, sabendo que Midas não poupara esforços em minha formação. Mas não podia ferir aquele órfão, com uma história e origem tão parecida com a minha.

- Não fale bobagens, menina burra! Vou acabar com você de uma vez por todas! – Ele saltou mais rápido do que pude perceber. Caiu sobre mim com um chute armado, forte como um cometa. Tentei desviar de seu golpe pulando para o lado, mas uma de suas mãos envolveu-se em meus cabelos, e ele puxou-me para trás. O solo onde seus pés bateram estava partido, e pude observá-lo bem quando Tristan mandou-me para lá, depois de acertar-me com dois socos bem posicionados no estômago. – Devia ter recusado a luta, Sattin... Agora, terei que marcar seu belo rosto!

Um chute potente atingiu minhas costelas, e o ar escapou através dos meus dentes como se uma força invisível o expulsasse para fora. Tonta, finquei as unhas na areia, tentando resistir à dor. Meus olhos cheios de lágrimas encontraram os de meu Mestre, e ele parecia preocupado. Seu olhar dizia-me para resistir, revidar. Mas eu não podia ferir Tristan. Mais do que isso: Eu não queria feri-lo. Não entendia a razão de lutar sem um propósito, de empregar a violência para me mostrar superior. Não entendia. Midas fechou os olhos, quando meu adversário atingiu-me pela segunda vez. Vi a decepção em seus olhos, e entendi. Eu tinha razões para lutar. Tinha um Mestre a honrar, e uma vingança a cumprir. Fenick fora morto por obra de Hefesto, e eu jamais veria o Cavaleiro de Unicórnio outra vez. Uma deusa predestinada viria para salvar a Terra, e pessoas de bem precisavam defendê-la. Eu tinha que sobreviver. Pelo menos até que pudesse ver a deusa. Até que pudesse encontrar um sentido para a maldade no mundo, e combatê-la até o fim da minha vida. Se Tristan não podia compreender aquilo, então era injusto. E seres injustos não mereciam misericórdia. Não tinham o direito de vestir uma Armadura de Atena. Quando ele tentou chutar-me novamente, ergui as correntes de treino e girei meu corpo, enrolando seu pé entre os elos. Puxei com força, e Tristan desequilibrou-se, num pé só.

Ele caiu ao meu lado, e deu um soco na direção do meu rosto. Movendo-me com velocidade, segurei o seu pulso, deixando as correntes enroladas em minhas mãos absorverem o impacto. Passando a perna sobre sua cintura, montei sobre ele rápida o bastante para imobilizá-lo, enredando suas mãos com minha corrente de treino. Atordoado, Tristan tentava recuperar-se do choque de minha reação, que ele não esperava. O silêncio reinou na Ilha de Andrômeda, quando ele fez menção de erguer-se e atingi sua cabeça com a minha, mandando-o novamente para o chão. Sua testa sangrou com um pequeno corte, e minha boca ficou seca, com o esforço. Pensei ter vencido a luta, e tentei pedir que ele se rendesse. Mas então pequenas faíscas negras envolveram minhas correntes, e rapidamente chegaram aos meus braços. O cosmo negro de Tristan envolveu-me, e ativou-se como um choque elétrico pelo meu corpo. Levantando-me como se fosse uma criança, ele atirou-me sobre o solo e rolei como uma boneca de trapos. Pequenos rasgos em meus braços choravam sangue, enquanto eu tentava reunir o pouco de consciência que me restava. Midas estava em choque, e tentou interromper a luta. Com um gesto, recusei-me a receber ajuda. Não daquela vez. Não quando eu sentia-me ultrajada e desafiada pelas Trevas. Se eu precisava usar meu cosmo para defesa, então eu invocaria minha própria luz. Lembrei-me dos vilarejos, dos pedintes, e dos idosos com fome. Lembrei-me de Fenick, e dos momentos mais felizes de minha vida ao seu lado. Lembrei-me da injustiça que fora sua morte, e de todas as lágrimas que derramei por ele. Minhas feridas pareceram arder menos, quando uma energia pulsante dominou o meu corpo. Senti Tristan recuar alguns passos, quando percebeu o seu erro. O ar ao meu redor tremeluziu, e as brisas ganharam uma coloração cor de rosa, ameaçadoras. Quando abri os olhos, todos me encaravam perplexos, e percebi que eu devia ter despertado verdadeiramente o meu cosmo. Ergui minhas mãos na direção de Tristan, e o vento o envolveu como correntes partindo de meus braços feridos. Puxando o ar como se fosse sólido, o derrubei ao mesmo tempo em que minha corrente e dar o atingia, lançando-o contra o chão. Dali ele não se levantou mais, embora estivesse em condições para tanto. Parecia assustado, e definitivamente derrotado.

- Eu... Estou me rendendo. – Avisou, erguendo as mãos. Suspirei aliviada. Depois daqueles instantes de poder, provavelmente ele teria me derrotado. Sentia-me como se tivesse gasto toda a minha energia naquele simples golpe elemental.

Ninguém comemorou minha vitória, incluindo a mim mesma. Posso dizer apenas que sobreviver ao Sacrifício, foi mais fácil do que ter de ferir outra pessoa. No momento em que fui acorrentada às pedras, já não me sentia mais sozinha. Era como se a própria Andrômeda mitológica estivesse ao meu lado, alimentando meu cosmo com o seu. Percebi então que Tristan jamais sobreviveria ali. Nenhum dos outros. Eles não compreendiam o coração generoso de Andrômeda, e jamais obteriam sucesso. Sob as ondas do mar, elevei o meu cosmo. Chiando e movendo-se para cima, a água salgada foi erguida pelo vento, e o elemento que eu aprendera a manipular chicoteou as correntes ao redor do meu corpo, libertando-o. Caí de joelhos sobre as pedras, sem fôlego. Ao meu redor, a maré mantinha-se alta, enquanto eu encarava o rosto de Midas, que observava a tudo no topo da colina. Os outros aspirantes pareciam chocados, mas encontrei o rosto de Tristan. Nele havia novos traços de humildade, após a derrota. Seu sorriso foi sincero, quando toquei na Caixa de Pandora contendo a Armadura de Andrômeda, e esta respondeu a mim, brilhando na mesma cor do meu cosmo.

Como a nova Amazona de Andrômeda, levantei-me das pedras e do mar. Assim começa a história de Sattin, defensora de Atena.




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Re: [FP] Sattin de Andrômeda.

Mensagem por ADM Daënna em Sab Abr 18, 2015 9:17 pm


Avaliação

Aparência : bem descrito não vi tamanho pecado nas palavras e assomou bem no "contexto : entendimento". 

Psíquico : O mesmo de cima. 

História : O que dizer? Foi bem narrada e você dizendo que foi como uma fic, eis um elogio : Foi bem detalhado e bem escrito está de parabéns. Erros? Nenhum aparentemente e organização simplesmente nota 10! 

Habilidades : Ambas aprovadas e bem descritas.

Particularidade : Aprovada com exito! 

dado total : Bem demais delongas aprovado e seja bem vindo meu caro e aproveite a estádia. 

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