[ Prólogo O2 ] ─ Das cinzas às cinzas.

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[ Prólogo O2 ] ─ Das cinzas às cinzas.

Mensagem por Rosier de Garuda em Sab Abr 11, 2015 12:52 pm

Δsнes to Δsнes.
          雄星


    Rosier conseguiu por fim matutar, as mãos trêmulas segurando o valioso colar. Quando ele voltou para o quarto onde antes estivera, a visão que o aguardava fez com que parasse no meio do caminho. Amelie estava na sacada, de costas para a grade, os olhos profundos pousados nele. Uma verdadeira aparição dos céus, a silhueta radiante que detalhava as curvas pequenas do corpo dela, traçando cada junta de sua barriga, a deixando tão linda quanto as estrelas e a lua que ascendiam por trás, modelando seu corpo como uma aura limpa e pura. Poderia ter sido uma deusa romana, envolta em seu vestido de cetim atoalhado, a faixa apertada na cintura acentuando suas curvas perfeitas. Do lado de fora, uma névoa clara pairava como um halo sobre o ar que rumava a brisa até seus cabelos.
Rosier sentiu-se tremendamente atraído por ela, mais do que por qualquer mulher em sua pequena vida. Com cuidado, colocou o bilhete que havia recebido junto do colar com o retrato dela na mesa-de-cabeceira. Haveria muito tempo para explicar tudo aquilo depois. Foi ao encontro dela na varanda.
    O corpo era tomado por uma neblina branca, um sonho lúcido ou uma ilusão, as falhas na neblina dissiparam seu corpo que logo tomou forma novamente. Amelie mostrou-se contente ao vê-lo, e novamente abriu aquele sorriso mágico que somente quem já amou um dia sabe como é.
Você está aqui? por sucinto, resumiu todas as suas palavras numa pausa para respirar. ─ Eu não posso ter perdido você...
Você acordou murmurou ela, com um ar de timidez afetada.Finalmente.
O púbere sorriu, cogitando a lúgubre possibilidade daquilo não ser um sonho e que ela realmente estava ali em sua frente, sua imaginação o permitiu sorrir.
Eu tive um sonho estranho, parecia que você não estava mais aqui. um calafrio correu desde sua espinha até seu pescoço, seu coração palpitou por alguns segundos.
Ela correu a mão pelas madeixas abundantes, o decote de seu vestido de cetim abrindo-se ligeiramente.
E agora suponho que eu esteja, mas por quanto tempo? pegou Rosier desprevenido, antes mesmo de terminar sua fala seu corpo dizimou-se entre a névoa e pairou sobre-a, como uma fumaça de lareira que dissipa-se nos ares.
    A lembrança do mundo dos mortos, da terra de Hades era perturbadora até mesmo para quem viveu lá.  A morte naquele lugar deserto e esquecido para quem vive, podia ter infinitas formas. Rosier havia enfrentado o esplendor selvagem daquelas terras, sua índole não era maligna e por algum acaso, o deus do submundo o escolheu, e não havia muito a ser feito para contrariar uma vontade dessas. Ainda assim, nada poderia prepara-lo para um destino tão pútrido, bárbaro e antinatural quanto aquele que outrora fora colocado de encontro, por surpresa.
    Todavia; a vida acontece de forma duvidosa e que coloca nossos critérios em jogo, se arrependimento fizesse jus a morte, Rosier não estaria mais em pé. A vida longe de toda maldade e podridão era evidentemente mais aceitável, sua alma não era pura, mas não tão longe do caminho da purificação estava ele. Mas das cinzas às cinzas, da poeira à poeira. Quando um anzol fisga um peixe, ele não consegue voltar a ser livre e nadar pelos oceanos até que então quem o fisgou permita. Isso resumia basicamente a vida de Rosier no exato momento em que se encontrava com as mãos sobre a madeira envernizada da varanda e a lágrima percorria sua face, enquanto por dentro a raiva percorria seu cosmo.

 
  Sua alma e corpo estavam em sincronia perfeita, como sempre estivera; de fato, Rosier sempre foi um ser que deixava-se ser dominado pela paciência e não pela dúvida, a ambição era clara mas pouco sabia-se sobre ela. A vontade e boa-índole de um espectro impiedoso aos olhos de quem não o conhece.
Eu presumo que todos que estão aqui, estão prontos para morrer, vocês vão sair do meu caminho ou eu o façogritou de certa forma ditadora mostrando evidente intenção de confronto.
    Á sua frente estava nada além de um exército de espectros, suas armaduras reluziam sob a luz da lua que era banhada e cercada por milhares de estrelas, as constelações de capricórnio e até mesmo o planeta Vênus era visto de onde estavam. Uma investida clara de um espectro contra Rosier pode ser notada, seus pés tomaram propulsão apoiando-se no solo, levando seu corpo em colisão contra o do espectro; um soco tão forte e rápido banhado pelo cosmo do juiz dos mortos, que poderá trincar a simples armadura do guerreiro devido à sua maestria imperdoável, as rupturas atômicas que seu cosmo proporcionava que causavam danos moleculares gigantes em qualquer coisa que ele tocasse.  
A pequena estrela espectral cai sobre os pés de Rosier, segurando com as mãos onde antes ele havia investido.
Eu não pretendo acabar com a raça de vocês, eu quero apenas Pandora, acredito que tenho algumas pendências com ela, quem saiba eu precise fazer uma troca.nesse instante o cordão com o retrato de Amelie em um brasão de alguns centímetros balançou em seu pescoço com a brisa que cortou o ar e no mesmo instante mostrou o motivo de porque estivera ali.
    O exército de aproximadamente vinte e cinco espectros e estrelas celestes em seguida ajoelharam-se quando tiveram a oportunidade de ver a escultura de garuda, numa caixa metálica que estavam enganchadas por alças de couro em seus ombros, sua autoridade ainda imperava por ali, seu sumiço fora temporário e de volta ás origens, estava lá ele, sobretudo, tentando buscar Amelie ou a princípio, sua alma.
Rosier irrompeu ás pressas num frenesi agressivo, passando entre os espectros e caminhando em direção que este sabia por ventura qual era o destino, os campos Elísios, onde Hades escondia ou guardava seu verdadeiro corpo e onde Pandora provavelmente selava a alma de Amelie; entre um caminho e outro, ele conseguiu ver uma fila imensa de almas que aparentemente estavam desligadas do mundo espiritual ou cósmico e pareciam zumbis em meio a um nevoeiro, a silhueta traçava formas corpóreas e todos os rostos, sem exceção eram enrugados e a morte estava presente em seus olhos junto de suas pupilas escurecidas, seria assustador aquilo se Rosier já não tivesse presenciado e vivido tudo isso antes.
   Num rápido movimento e propulsão atômica este tomou impulso do chão, com seu cosmo á favor cortando os ares, este rompeu a velocidade comum e até mesmo a mais veloz e se mantinha numa investida contra o solo que o proporcionava percorrer pelo menos um quilômetro por segundo, de longe todos os espectros que circulavam ou faziam a guarda poderiam ver a movimentação do juiz, todos foram informados que havia uma invasão no mundo dos mortos, e quem era para entrar lá e conhecer o caminho que espreitava Elísios se não quem já conhecera á tempos, nada o pararia nem mesmo as estrelas celestes de mais alto nível, a alma de Amelie iria sair dali hoje com ele, Hades já não era mais um medo evidente e sim um obstáculo.

Continua...

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Re: [ Prólogo O2 ] ─ Das cinzas às cinzas.

Mensagem por Kenshin Himura em Sab Abr 11, 2015 8:01 pm

Bom prólogo.

+ 1 nível.

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